Semana passada fui a Aquiraz, a trabalho, e presenciei, no fórum local, a discussão seríssima de uma funcionária com outra a respeito do melhor milho de pipoca que ela havia comprado no dia anterior para assistir à novela.
Do auge de toda a minha indiferença sempre surgem pensamentos do tipo "minha vida é melhor do que a delas!", mas isso não é verdade. Não é melhor ter formação superior, consciência política, pensamentos com problemas sociais ou elucubrações sociológicas, interesse em filosofia e querer ser a melhor pessoa do mundo, morando numa "metrópole" e gostando de músicas que não considero "superficiais".
Cada um tem sua vida, e dentro de sua vivência experimentamos diferentes sensações, temos diferentes comportamentos. Assim é a humanidade, e ninguém é melhor do que ninguém.
Por isso mesmo, sempre achei os meus problemas os mais graves do mundo, porque são meus. E não são piores ou melhores do que a fome da África, os pais que perdem um filho, um acidente que deixa a pessoa tetraplégica ou o exame de sangue recebido com diagnóstico de HIV positivo. Dentro de um contexto de comparações (e o alto só existe porque há o baixo), pode até ser que haja um escalonamento do que é pior ou do que é menos ruim. Mas meus problemas são os piores do mundo, e sempre serão. Porque são meus.
É isso mesmo. Infelicidade é quando você pensa que se tivesse a chance de escolher um jeito para as coisas serem, você escolheria que elas fossem totalmente diferentes do que elas são. E ainda assim, você tem forças para continuar vivendo, de alguma forma. Exagero? Não. É apenas a minha vida.
Para uma quinta-feira da qual nada espero, assim como nada esperei de todos os dias desse mês de julho de 2005 (e ainda assim tive bastantes - agradáveis - surpresas). Música: Smiths. Livro: Goethe. Filme: Kaufman.
And when you're dancing and laughing
And finally living
Hear my voice in your head
And think of me kindly
Vez por outra me surpreendo com o óbvio fato de que este espaço deveria ser um Consultório Psiquiátrico, do qual o principal paciente sou eu mesmo, em auto-terapia, ou em terapia coletiva com quem ainda se digna a aqui visitar. E me esqueço dos diagnósticos, prognósticos, quadros clínicos e dos próprios tratamentos e terapias para todos os fatos que me cercam e, principalmente, me afetam.
Ontem a noite, em meio a situações completamente desfavoráveis e - para não dizer - inconcebíveis em outrora, pareceu-me pertinente acreditar ainda mais em métodos nada ortodoxos e moralmente discutíveis sob o ponto de vista ético, como a submissão a uma "terapia de choque", para melhor exemplificar.
Forcei-me a experienciar e conviver, ainda que à distância, com um trauma - o maior trauma, por sinal -, justamente como forma de combatê-lo e, até mesmo, superá-lo. Aparentemente deu resultados. Bons resultados, por sinal.
Aguardem: em breve, minha provável indicação ao Prêmio Ignóbil deste ano, em prol dos experimentos que menos contribuem para o progresso da Ciência!
Não há muito o que se falar. O placar dilatado (4X0) é o suficiente. A conclusão é melhor ainda: São Paulo Tricampeão da Copa Libertadores da América! Salve - sempre - o Tricolor Paulista!
Ontem a noite, episódio de "That 70's Show". Uma pérola de Fez, após constatar que Donna (originalmente ruiva) havia pintado a cabeleira de cor dourada, loura:
I like my women as I like my wine: red and full of alcohol.
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.
PS: Pouco tempo depois de postar o texto abaixo, e ao terminar de escrever mais um e-mail sem assunto, uma Esperança (um Louvadeus ou qualquer inseto desse tipo) invadiu o meu quarto. Eu fugi, sentei na cadeira da sala e chorei (de tristeza). Só voltei depois que ela foi embora. O mundo é mesmo cheio de sinais estranhos...
"Random thoughts for Valentine's Day, 2004. Today is a holiday invented by greeting card companies to make people feel like crap. I ditched work today. Took a train out to Montauk. I don't know why. I'm not an impulsive person. I guess I just woke up in a funk this morning. I gotta get my car fixed. It's goddamn freezing on this beach. Montauk in February. Brilliant, Joel! Pages ripped out. Don't remember doing that. It appears this is my first entry in two years. Sand is overrated. It's just tiny little rocks. If only I could meet someone new. I guess my chances of that happening are somewhat diminished, seeing that I'm incapable of making eye contact with a woman I don't know. Maybe I should get back together with Naomi. She was nice. Nice is good. She loved me. Why do I fall in love with every woman I see who shows me the least bit of attention?"
(início de "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças")
22 de novembro é um dia enigmático. Já me trouxe várias tormentas, mas hoje pode significar esperança de que há futuro, de novas possibilidades. O problema é que novas possibilidades também são seguidas de novos fracassos. Os velhos erros são superados apenas para dar lugar a outros novos.
Nesse dia, em 2003, postei aqui uma música do a-ha. Uma música sincera, que provavelmente refletia - dentro de mim - algo que passava naquela época. Na verdade, nem sei ao certo porque postei essa música naquele dia, mas sei muito bem porque a posto hoje: outros erros, outras falhas, outras decepções, outras fossas, outra vida até, talvez. Eu tenho amigos demais e "Karma Police" é o toque do meu celular que menos quero ouvir, ao mesmo tempo em que mais espero que toque.
Help me
I need your love
Don't walk away
The dark scares me so
We're nothing apart
Let's stay friends forever
Forever
Here I stand and face the rain
I know that nothing's gonna be the same again
I fear for what tomorrow brings
Trust me
For whom I am
Place all your faith
Into these hands
I got nothing to say
But let's stay friends forever
Forever
Here I stand and face the rain
I know that nothing's gonna be the same again
I fear for what tomorrow brings
Here I stand and face the pain
Of knowing nothing's gonna be the same again
I fear for what tomorrow brings
Here I stand and face the rain
Knowing nothing's gonna be the same
Again
Vocês sabem por que a mulher foi feita usando a costela do HOMEM??? Porque se fosse do filé mignon, POBRE não poderia comer!
Circulou essa "piada" por e-mail no meu escritório, esta manhã. Uma das estagiárias - a quem tenho aprendido a admirar cada vez mais - respondeu secamente:
...E VOCÊS SABEM POR QUE A MULHER FOI CRIADA APÓS O HOMEM??? POR QUE TODA OBRA-PRIMA NECESSITA DE RASCUNHO.
Encaminhei-lhe um e-mail que se transformou num bom diálogo. Um desabafo, na verdade. Transcrevi-o, devidamente autorizado. A mensagem:
Ô bicha abusada!!! :-)
By the way, eu li teu recado no Orkut. Peço desculpas pelo "encabulamento". É que eu também não to num período nada bom... Desculpe-me.
GVF
PS: Fique ciente que quando assino "GVF" é porque não é o Dr. Germano quem está falando. Muitas vezes também não é o "Doutor" quem assina com o texto padrão do escritório, mas assim fica mais fácil de identificar quem é quem...
PS2: Sim, sim... Eu tenho múltiplas personalidades, e mal sei conviver com elas. Até Psiquiatra eu sou...
A resposta:
E eu que tenho personalidade anancástica?
... incrível como o ser humano compete por desgraças.
Sobre o recado no Orkut, não preciso de desculpas... :-) Você é muito simpático, ainda assim. Só espero que fique bem em relação aos seus problemas. Hoje é 05 de julho, o único do qual me lembro que existiu. Um abraço carinhoso.
A réplica:
Moça,
Não sabia o que era anancástica. Procurei no dicionário e não encontrei. Procurei no Google e descobri o que era. Isso foi num site de Psiquiatria. De repente me despertou o interesse pelo resto da página e me descobri paciente de vários transtornos de personalidade. Até parecia horóscopo ou coisas do gênero, quando a gente lê e se identifica na hora. Obrigado por despertar um interesse implícito. "Borderline" deixou de ser apenas uma bela música da Madonna para ser parte mais integrante da minha realidade.
Quanto à competição pelas desgraças, lembrava-me dos tempos de colégio, quando havia uma excessiva competição (a palavra era essa mesmo) para descobrir quem se sairia pior em uma prova. Inversão completa de valores, talvez resultado de pessoas que cresceram numa década em que o Brasil não era nem uma promessa, apesar de tudo.
Já com relação ao tempo, vivo fora dele. Sem referência. Tempo pra mim significa apenas prazos, e isso aqui, no trabalho. Fora daqui, eu não sei se é presente ou futuro. Muito provável que seja passado, o que inclusive pode ser medido pelas minhas predileções musicais, bibliográficas e cinematográficas. O que é novo não me atrai muito. Talvez você até entenda o problema de lidar com pessoas novas no escritório, enquanto há uma convivência tão mais "solta" com os velhos rostos que por aqui circulam.
Enquanto isso, 5 de julho ainda não existe para mim. Talvez seja um erro pensar assim, mas é um bom e velho silogismo, perfeito: partindo-se de uma premissa errada chegar-se-á a uma conclusão errada. E essas premissas estão no passado, no eterno reino em que luto todo dia para modificar as coisas. Luta impossível, deveras. Porém, as causas impossíveis me são mais caras.
Obrigado por tudo. As coisas vão melhorar, sim. Um dia, talvez quando chegar esse 5 de julho na minha vida...
Com carinho,
GVF
PS: Isso tudo foi uma verdadeira aula sobre mim. Não para que eu te diga quem realmente sou, mas para que eu mesmo me descubra um pouco mais.
Tudo fosse simples se,
Compreensão houvesse se,
Mas não, nunca uma prece
Nasceu para de realidade tanto carecer
E me parece
Que desde que tudo seja dito
Mesmo aquele que esquece
Haverá de alcançar o pretérito
Para desculpar-se com o grito
Que escoou aqui de mim
Mas já o tempo terá ido em frente,
Fatídico, trágico, profético,
E cinzas não sobrarão
Mas alvorada iridescente
Que quererá reabrir meus cálidos
Sorriso, alma e drão.
Poucas pessoas no mundo realmente me entendem. Charlie Kaufman, certamente. Talvez até mais do que Roberto. Por isso mesmo foi preciso anotar no meu celular, como compromisso para todo novo dia, "Pegar um trem para Montauk". Se vai ser cumprido ou não, nem sei. Na verdade, nem me importo. Eu não existo para o mundo na mesma proporção em que ele não existe mais pra mim. Porque é tão dificil olhá-lo e ver o que ainda existe. Roberto deveria ter sido censurado pela ditadura... Esse legado hoje faz tanto mal [quanto faz bem].
PS: Deveria começar a acreditar em correntes. Hoje resta muito pouco para se acreditar.
Não há palavras. Estas últimas semanas que passaram foram de aparências. Peço desculpas a todos com quem estive se demonstrei ser quem não era (ou quem não sou, na verdade). Os programas tradicionais já não fazem a menor diferença [só mesmo a presença de poucos amigos].
Aconteceu de tudo: problemas familiares, crises financeiras, grave problema no carro, conflitos profissionais... De tudo aconteceu um pouco. Mas talvez o pior de tudo tenha sido mascarar minha personalidade e, por fim, perder meu coração.